No último ano, muitos músicos do movimento LGBT, inclusive drag queens, alcançaram os holofotes no Brasil. Artistas de diferentes gêneros como Pabllo Vittar, Gloria Groove, Liniker, Rico Dalasam, Linn da Quebrada caíram no gosto do público. Aproveitando-se dessa abertura no mercado independente aos LGBTs, a jovem Mia Badgyal lançou seu primeiro single Na Batida, na última sexta-feira (24).

 

A drag queen revela que quer explorar um nicho pouco valorizado no Brasil: a latin music. Apesar do sucesso de Anitta com as músicas Paradinha e Downtown, não existem outros artistas no país que trabalhem com esse estilo musical. Shakira, Jennifer Lopez e Bad Gyal, que serviu de inspiração para a escolha do nome drag de Mia, são suas referências internacionais. Enquanto Iza, Banda Uó, Pabllo Vittar são algumas de suas referências nacionais.

 

 

Após cinco dias de lançamento, a música atingiu mais de 11 mil visualizações no Youtube, sem contar as outras plataformas digitais. A ONE Revolution People’s Music está sendo responsável pela distribuição digital do single a outros serviços de steaming, como o Spotify. “Sou muito sortuda por tudo estar fluindo bem até agora. Como é a minha primeira música, todo o processo de produção e divulgação é muito mais difícil”, afirma Badgyal.

 

Em virtude da união da comunidade drag, a cantora conta que está recebendo muita ajuda na divulgação da música por amigas como Pabllo Vittar e Gloria Groove. Há uma década esse cenário não seria imaginável, pois o mercado de música independente era extremamente competitivo. Ao longo dos anos, os artistas perceberam que só é possível consolidar uma cena musical, quando todos fazem sucesso e têm bastante repercussão. Juntos são mais empoderados.

 

Além de Na Batida, Badgyal também lançou um lyric video, na última sexta-feira, gravado no bairro Santa Cecília. Esse tipo de vídeo exibe a letra da música em forma de animação, cujo background, nesse caso, são imagens da drag queen caminhando pelo centro de São Paulo, como pelo Minhocão. “É para a galera começar a pegar a letra até o lançamento do clipe”, que será gravado na segunda semana de dezembro pelo fotógrafo curitibano Arthur Lestak.

 

A cantora também é DJ em várias casas noturnas em São Paulo e recentemente caiu no gosto do público universitário. Há um ano Badgyal começou a participar de festas da Atlética de Comunicação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo a convite da drag queen Felicious, que também é aluno na instituição. Apesar da fama de opressoras e conversadoras, “a atlética da PUC-SP é uma das poucas que dá suporte e atenção para os LGBTQs”.

 

Há três anos também trabalha como estilista criando roupas e acessórios que seguem a tendência agender, isto é, uma moda sem gênero. No Brasil, Alexandre Herchcovitch é um dos grandes precursores desse estilo. Badgyal conta que já produziu para muitas drags queens, inclusive para Pabllo Vittar. “A galera jovem da cena agender conhece meu trabalho como estilista antes mesmo de começar a me montar. Agora estou tentando unir tudo: moda, música e arte. Eu sempre quis fazer várias coisas ao mesmo tempo”.

 

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Pabllo Vittar veste segunda pele arrastão confeccionada por Mia Badgyal

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