Com a estreia do reality show RuPaul’s Drag Race em 2009, a arte drag que estava em decadência e reclusa no mundo underground ganhou os holofotes novamente. No Brasil, o programa ganhou uma legião de fãs fervorosos que conhece todas as participantes, os desafios, as músicas e os bordões do show.

 

Entretanto o mesmo grupo que afirma amar as drag queens, não conhece as artistas do próprio país. Deixando de lado essa Síndrome do Vira-Lata, o InDRAG convida seus leitores a conhecerem queens brasileiras que arrasam na maquiagem, na performance e no figurino.

 

1. Marcia Pantera

Pioneira na arte do bate-cabelo, há 30 anos Marcia Pantera encanta a todos com suas performances vibrantes pelo Brasil, sambando, escalando paredes, se jogando nos braços do público. Um dos maiores ícones da cena LGBT do país foi a primeira musa do estilista Alexandre Herchcovitch, que criou mais de 300 modelos especialmente para a performer. Entretanto nem sempre foi dona dos palcos. Durante a adolescência, Carlos Mário era jogador de vôlei, chegando a participar do time de Suzano. No mesmo período começou a frequentar boates de drag queens, quando assistiu pela primeira vez uma performance de Marcinha do Corintho, decidiu que queria fazer o mesmo pelo resto da vida.

[Foto: Reprodução]

2. Nina Codorna

Há mais de dois anos o publicitário e designer Marcos Borges criou a personagem Nina Codorna, conhecida pelas maquiagens de tirar o fôlego. Neste ano, a baiana foi a primeira drag queen a vencer o Face Awards Brasil, renomado concurso de maquiagem artística. Além de receber o prêmio de 20 mil reais, ela viajou para Los Angeles para acompanhar a final do Face Awars americano e divulgar seu trabalho. Nina prefere ser identificada como drag queer, isto é, a artista não segue o binarismo de gênero ou o modelo heteronormativo. Recentemente produziu e protagonizou o curta The Near Death Experience sobre estudos de parapsicologia, conhecidos como experiências de quase morte.

 

3. Alexia Twister

Popular pelos shows autorais e covers, Alexia Twister é uma das drag mais talentosas da noite paulistana. Suas performances já foram elogiadas por Lady Gaga, Kylie Minogue e Guy Oseary, empresário da Madonna. A estética da artista é extremamente feminina, conhecida como fish queen. Além de ser residente na Blue Space, casa noturna tradicional do circuito drag, Alexia já participou de várias peças de teatro, interpretando outras personagens femininas. Atualmente participa da peça A Cigarra e a Formiga – Um Espetáculo para Adultos, no Teatro do Ator, na Praça Roosevelt, todas as terças-feiras às 21h.

[Foto: Reprodução]

4. Alma Negrot

Acompanhando a nova geração de drag queens, Alma Negrot questiona o conceito de gênero e desconstrói os padrões de beleza durante suas performances. A artista, que se intitula eco drag, desenvolve seus figurinos a partir de materiais recicláveis, usando desde o plástico até fibras naturais. Além da maquiagem, Alma costuma pintar todo o corpo como uma tela em branco, criando uma personagem abstrata sem gênero fixo, inspirando-se em seus trabalhos de ilustradora e artista plástica. Moradora do Rio de Janeiro, diferente de outras queens restritas à vida noturna nas boates, ela também gosta de se apresentar em galerias de arte e na própria rua para se conectar de outras formas com o público.

[Foto: Reprodução]

5. Lorelay Fox

Dona do canal Para Tudo com quase 400 mil inscritos, Lorelay Fox faz sucesso no Youtube, discutindo e ensinando de forma didática temas como orientação sexual, identidade de gênero, LGBTfobia e até mesmo maquiagem. A drag queen também é consultora do quadro Bishow do programa Amor & Sexo, da Rede Globo. Por trás dos cílios e do salto alto de Lorelay, está o publicitário Danilo Dabague, que mora em Sorocaba, e desde pequeno descobriu sua veia artística através do desenho.

6. Vlada Vitrova

Brasileira, residente da Suécia, feminista, amante da União Soviética e do comunismo. Em meio a essa miscelânea cultural, nasceu a espiã russa Vlada Vitrova. Recentemente também ingressou no grupo Riot Queens, coletivo de mulheres drag queens do Brasil. Em suas palavras, “parte do meu personagem drag envolve a construção de uma persona que subverta de forma queer os símbolos de uma ditadura extremamente conservadora. Esta enterrou os ideais revolucionários ao longo dos 100 anos que a sucederam, como ainda é possível observar na política russa e mundial hoje em dia”.

[Foto: Vlada Vitrova]

7. Ivana Wonder

O designer Victor Ivanon, criador da persona Ivana Wonder, é um símbolo de resistência dos Club Kids. Nos anos 90, o movimento artístico nasceu como contraponto ao Grunge e ao Minimalismo. Sua estética é definida a partir do excesso de maquiagem, cores, texturas, glitter e estampas. Bebendo dessa fonte, Ivanon construiu uma personagem extremamente dramática, com influência de palhaços e agênera. Neste ano, Ivana também já participou do programa Amor & Sexo, da Rede Globo, onde venceu um concurso como melhor cantora.

[Foto: Reprodução]

8. Gloria Groove

“Hmmm, e olha só como o jogo virou! / Do nada cê liga a TV / Nóis tá na Globo! / E abre espaço pras donas sem torcer o nariz!”. Além de drag queen, Gloria Groove também é rapper. Há dois anos Daniel Garcia escolheu abraçar esses dois ramos artísticos e misturá-los. Hoje já é uma estrela reconhecida nacionalmente no circuito drag, tendo conquistado o troféu de revelação da música no Prêmio Jovem Brasileiro. As letras de suas músicas são sobre a ascensão das drag queens, da comunidade LGBT e sobre a superação de preconceitos no dia a dia.

 

9. As Deendjers

Casados há 14 anos, o mineiro Thiago Vilas Boas e o paranaense Vinícius Lavezzo criaram a dupla As Deendjers um ano após o casamento. A Era de Ouro de Hollywood é a grande inspiração para o figurino, a maquiagem e a performance das drags. Marilyn Monroe, Carmen Miranda, Rita Hayworth, Liz Taylor e Jean Harlow são algumas de suas referências. Quando não estão montados, eles trabalham como maquiadores e cabelereiros. A dupla é tão talentosa que já recebeu convite para participar do reality show RuPaul’s Drag Race.

[Foto: Reprodução]

10. Lia Clark

Em meio a um cenário musical dominado por homens heterossexuais e cisgêneros, a funkeira e drag queen Lia Clark conseguiu conquistar seu espaço, alcançando mais de 140 mil inscritos em seu canal. Além disso, a música Chifrudo tem mais de 7,9 milhões de visualizações no Youtube. Trava Trava, Chifrudo e Boquetáxi tornaram-se músicas obrigatórias nas boates e baladas de público LGBT. Em novembro, a cantora divulgou seu próximo projeto musical, o single Berro, que será uma parceria com Tati Quebra Barraco e a dupla Heavy Baile (Leo Justi e MC Tchelinho).

 

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